As pulgas dos cães saltam mais longe do que as dos gatos, uma ameba é capaz de decifrar um labirinto e as plantas têm dignidade.
Estes são alguns dos prémios Ig Nobel (ou anti-Nobel) entregues este ano, que foram anunciados na quinta-feira, em Harvard, States.
Um dos prémios foi para uma dupla brasileira (se interessa, consta que saíram de lá vivos) da Universidade de São Paulo, vencendo a categoria Arqueologia devido a um trabalho sobre o impacto dos tatus nas escavações arqueológicas (e eu que pensava que iam voltar a falar daquelas moças russas).
Na Biologia, venceram os os franceses Marie-Christine Cadiergues, Christel Joubert e Michel Franc, de Toulouse que realizaram um "estudo comparativo entre o desempenho do salto das pulgas de cães e gatos", que mostra que os insectos nos cães pulam mais.
Já o Comité Ético Federal suíço para a biotecnologia não-humana recebeu o IG Nobel da Paz, por "adoptar o princípio legal de que as plantas têm dignidade".
Na Medicina venceu Dan Ariely, da universidade americana Duke (Carolina do Norte), que confirmou as suspeitas de alguns psicanalistas de que "um falso remédio caro é mais eficaz que um barato" (nem que seja para os gajos quem vendem urnas).
Cinco pesquisadores japoneses e um húngaro mediram a capacidade de uma ameba para "resolver um labirinto", o que lhes valeu um anti-nobel em Ciências do Conhecimento.
Os IG Nobel são distribuídos há 18 anos na prestigiada universidade de Harvard (a universidade, não os prémios, não vamos confundir) e aspiram, não apenas a fazer rir, mas também a "fazer pensar".
Geoffrey Miller, Josha Tybur e Brent Jordan, da Universidade do Novo México, venceram a categoria de Economia, ao estudarem o impacto do ciclo de ovulação de uma "stripper" nas gorjetas que ela recebe (aqui sim um estudo que interessa).
O anti-Nobel de Química foi, curiosamente, para duas teorias contraditórias sobre o mesmo tema. Sharee Umpierre, da Universidade de Porto Rico, e Joseph Hill, de Harvard, foram recompensados por demonstrarem que "a Coca Cola é um espermicida eficaz".
Já Chuang-Ye Hong, da Escola de Medicina de Taipé a sua equipa de investigadores de Taiwan receberam a mesma recompensa por mostrar exactamente o contrário.
A estatueta de Nutrição foi para Massimiliano Zampini, da Universidade de Trento (Itália), e Charles Spence, de Oxford (Reino Unido), "por terem modificado electronicamente o ruído de uma batata frita para enganar quem a consome, fazendo pensar que é mais crocante e fresca do que parece".
Os anti-nobel foram entregues por dois verdadeiros Nobel, William Lipscomb (Química, 1976) e Frank Wilczec (Física, 2004).
A festa terminou com as palavras do organizador, Marc Abrahams, que desejou "melhor sorte" para os investigadores que saíram de mãos vazias, e mais sorte ainda para os que venceram mesmo um dos anti-Nobel.
Para o ano candidato-me com um estudo sobre o cultivo de alforrecas, está ganho!